Por Juliana Di Beo e Paulo Horta
Para evitar o colapso de ecossistemas e a morte de milhões de pessoas devemos priorizar ações para aprimorar a governança e o florestamento de regiões marinhas-costeiras
Diversos ecossistemas como a Floresta Amazônica, a floresta boreal no hemisfério norte, as calotas polares do Ártico e os recifes de corais estão ameaçados de atingir o ponto de não retorno, definidos como o estágio em que um ambiente sofre uma perturbação que desencadeia uma mudança definitiva no sistema. Crescem as evidências de que eventos como secas na Amazônia, perda de gelo no Ártico e branqueamento de corais têm se tornado mais frequentes e intensos. Esses eventos causam grandes impactos como mortalidade em massa, perdas de biodiversidade e da capacidade de absorver e armazenar gases estufa, que podem condenar a humanidade a mudanças irreversíveis de longo prazo. Considerando que milhões de seres humanos dependem desses sistemas naturais, o ecocídio em curso representa o anúncio de um genocídio de dimensões muito maiores, da ordem de cinco vezes mais mortes do que as impostas pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial. O processo em curso, com todas as suas consequências – considerando a segurança hídrica, alimentar, sanitária e civil, está nos levando para um “holocausto climático”.